Há muito não me deparava com um filme como esse, que me fez parar de programar e vir aqui escrever o meu parecer sobre. Justamente em uma época que é modinha ser contra movimentos pró-natureza, anti-poluição, em que o lado ríspido da política e da cultura consumidora americana descredita a vida em conjunto e faz propaganda do “cada um por si”, esse filme me impressionou. A história é ambientada em Humboldt County, uma pequena cidade americana da Carolina do Norte povoada por uma pequena comunidade de hippies.
Centralizada em Peter, um estudante de medicina de Los Angeles que rala “his-ass-off” para se tornar o médico que (seu pai) sempre sonhou, esse drama mostra os pré-conceitos e possibilidades de uma cultura alternativa. Durante o filme não é raro se pegar refletindo sobre o que realmente é a felicidade e quais atitudes você tomaria no lugar das personagens.
O que você pensa quando alguém comenta sobre um filme, americano, focado no uso da maconha? Provavelmente naquele estudante mongolóide salivador e com reflexões à la “Beavis and Butthead”. Não é o caso de Humboldt County. Logo no começo conhecemos Bogart, garota vida-louca, muito talentosa, e que acaba atraindo Peter para sua cidade natal. Não demora muito para descobrirmos que o local é residência de fazendeiros cultivadores da erva, e que a cultura local é toda centrada na mesma. O primeiro contato de Peter com a droga é um divisor de águas no filme, um ponto que define a partir dali, para onde a história se rumará.
Sem hipocresia, o filme mostra o lado trágico, ganancioso e sem controle das drogas, assim como o lado humano e consciente. Também é muito interessante ver duas gerações de professores da UCLA sem respeito um pelo outro, devido a diferença de pensamentos. Qual é realmente feliz?
Algumas cenas podem ser chocantes, como a que a garota Charity prepara um cigarro de maconha para sua avó, enquanto chovem virtudes da jovem. Em tempos de desenhos violentos, crianças mimadas, internet, etc, é bem difícil não admirá-la.
Elenco de Humboldt County
Conclusão: É um ótimo filme. Daqueles que realmente fazem você refletir sobre seus valores (seja pela droga, ou não), sentir levemente o que as personagens estão passando, se sentir mal até pelos problemas enfrentados pelos pseudo vilões e que causa reações diversas em tipos diferentes de espectadores. Não é um grande marco, mas entretenimento de primeira.