Freedom
Sendo assim, não tenho direito a uma coisa chamada férias (dizem que isso é um período que você pode descansar, viajar e ainda receber, mas nunca cheguei perto de uma dessas, portanto não posso dizer com certeza), nem a décimo-terceiro, nem a descanso remunerado (nem mesmo com um super-ultra-foderoso atestado médico de contaminação por T-Virus). É simples e cruel: Posso descansar, mas ganho por hora e assim deixo de faturá-las, independente do motivo.
Logicamente isso trás um enorme desestímulo, não da vontade de fazer porra nenhuma, nem se dedicar fielmente, nem nada. Sem contar as piadinhas diárias sobre consultor ser folgado, consultor ser acomodado, consultor não fazer nada, enrolar, etc. Mas beleza, tá valendo, o retorno financeiro é um pouco maior devido a todos esses pontos, mas o dia a dia é sofrido. Não nasci pra isso, mas ainda hoje (com 24 anos), tenho fé que esse é um momento temporário na minha história.
Ano passado fui assaltado, perdi cerca de 18 mil reais, tive que escutar piadinhas dos policiais, comentários como “ih meu filho, você nunca mais vai ver nada disso não”, etc. Bom, tudo bem, sempre soube que aqui aonde vivemos, caso encontrassem minha coisas, virariam posse dos próprios policiais. Mas nem preciso dizer o quanto infeliz fiquei ainda mais com nossa pátria amada. É um dos grandes motivos que está me obrigando a deixar o Brasil. Sempre acreditei em um certo partido, até fui afiliado algum tempo atrás, e apesar de ter plena certeza que o Brasil está muito mais evoluído, a violência está totalmente fora de controle, devido a enorme corrupção existente em todo canto de todos os setores. Totalmente desenganado e infeliz de ser brasileiro.
Como se não bastasse, cerca de 1 mês atrás, chegou uma cartinha aqui em casa (na verdade na casa de meus pais, pois após o assalto, deixei de morar sozinho temporariamente), exigindo a minha presença no serviço eleitoral obrigatório. Exigindo. Meu dever como cidadão. Caso não comparecesse, eu teria meu passaporte cancelado (o que me ferraria num momento como esse, de despedida do país), iniciaria uma ficha criminal, não poderia pegar empréstimos, etc. Em outras palavras, viraria bandido.
Pesquisei na internet como ser liberado do serviço eleitoral, e foi só desanimo. Sim, é obrigatório. Sim, dá mó merda não comparecer. Sim, é bem difícil conseguir a dispensa.
Resumindo. Eu ganho por hora, portanto, o serviço eleitoral não me traria os 2 dias de descanso, remunerados. Trabalho na maioria dos domingos, portanto, além de tudo, perderia as minhas horas no dia da eleição (e possivelmente no dia do segundo turno). De graça. Estou prestes a sair do país, sem a menor fé na democracia brasileira, sem vontade de continuar colaborando. E agora tenho novos deveres como cidadão.
Tamanha foi a minha revolta, que chamei o chefe do cartório eleitoral em que fui obrigado a assinar um termo dizendo que estaria presente no dia. Conversei por algum tempo para saber quais eram as minhas opções, pois sofreria um grande prejuízo financeiro devido a essa obrigação. Recebi instruções para montar uma carta, entregar para o juiz eleitoral, e então minha dispensa seria julgada. Se fosse julgado que não seria dispensado, não existiria o que fazer. Ou vai, ou vira criminoso federal, sem poder sair do país mais. Fiz a cartinha, deixei no cartório e aguardei.
Semana passada chegou a resposta: FREEDOM. Mal acreditei, mas fui liberado. Não trabalharei na eleição. Motivo pra comemorar? Com certeza não, é triste ver um país como o nosso obrigando seus cidadãos a trabalhar no serviço eleitoral, independente de suas crenças, do quanto o país te deixou na mão. Sou contra inclusive ao voto obrigatório. Mas pelo menos vale um smile: =D
Como diria um bom gringo fingindo que conhece o Brasil: “Adios muchachas!!”










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