Não vou aqui perder meu tempo contando a história do rock, ou a história do dia do rock. Muito menos citar
Elvis,
Beatles, etc (too late i guess). Quero passar um pouco da experiência que é, levar uma vida inteira inspirada em um estilo musical, que define suas ações, seus gostos (inclusive pelo sexo oposto), entre outras coisas.
Quando eu tinha cerca de 7 ou 8 anos, ganhei um cd da minha irmã de presente de Natal. The Wall, Pink Floyd. Depois disso, o rock definiu praticamente todas as fases da minha vida. Logo após conhecer o Pink Floyd, vi um show, Dark Side, na TV Cultura. Ali, me apaixonei pelo instrumento que mudaria completamente o rumo de tudo. A guitarra.

Comecei estudando música tocando teclado, e foi assim por cerca de 3 anos. Após isso, comecei a tocar violão, pois era muito novo (e era muito difícil levantar o dinheiro) e meus pais não queriam me dar uma guitarra. Mais ou menos 1 ano após começar a tocar violão, ingressei em uma pequena banda, de conhecidos aqui da cidade. Cover do Blink 182. Na época (fim de 1999, inicio de 2000, com 15 anos), eu usava o cabelo azul (pois é), tinha piercing (praticamente ninguém tinha), estava muito mais em forma, e tinha (verbo no passado) uma leve semelhança com o Mark da banda original. Mas sinceramente, não era o maior fã do Blink. Queria construir solos intermináveis, psicodélicos, entrar em batalhas de guitarra. Acima das músicas, eu amava muito mais a guitarra. Logo após isso, tive uma oportunidade bem maior, tocando em uma banda de reggae (pois é – parte 2). Era vocal e guitarra base, pois sabia que apesar de venerar a guitarra, não tinha conhecimento suficiente para solar. Chegamos a nos apresentar algumas vezes, mas também não batia aquela paixão pela banda. Acabei me separando e tomando outro rumo. A faculdade.
Na época, namorava uma garota que lá pelos 18 anos já tinha um salário de 3 mil reais. Eu, estagiando, trabalhando em lojas por 100 pilas, e ela com 3k na conta, mensalmente. Nem preciso falar da pressão que tinha emcima de mim pra arrumar um emprego melhor, pra estudar algo diferente de música na faculdade. E foi o que aconteceu, ignorei a minha inscrição no curso de música da UNB, e fui fazer o curso de Sistemas de Informação. Também parei de tocar, pois arrumei um estágio na área de sistemas que exigia que eu viajasse, e o tempo livre eu TINHA (sim, obrigação) que curtir com a namorada. Mas o rock estava lá, estacionado, esperando uma oportunidade de voltar.
Muito tempo depois (cerca de 5 anos atrás), esse namoro acabou não dando certo, porém a profissão me trouxe bons frutos. Logo após terminar com essa minha ex, virei consultor na minha área de graduação (na época, ainda cursando). E comecei a frequentar os bares de rock da cidade. Toda sexta e sábado, estavamos la. Quarta a noite ficavamos em um estacionamento de um supermercado 24 horas, curtindo um som, bebendo, fumando, etc. Quinta a noite iamos (ou pelo menos nossos corpos nos levavam) pra uma serra perto da faculdade, escutar Pink Floyd (e outras) no meio do mato, cachoeiras, tudo muito bonito.
Nesse momento, minha profissão, que estava apenas começando, exigia muito mais do que eu tinha a oferecer, portanto meus sonhos de rock continuaram congelados por mais um tempo. Meu segundo namoro (sério) acabou dando errado também, me mudei para Campinas, e lá encontrei algo até que interessante. Uma galera de 12 pessoas, todas viciadas em música eletrônica. Minha missão era converter nem que fosse 1 única alma, mas não foi possível, muito pelo contrário, quando notei, eu estava frequentando as raves (ótimas festas aliás, ainda mais quando aparece algum DJ que conhece de música de verdade e enfia rock até não poder mais nos fritos). (IMHO) O rock não possui obras de arte nos dias de hoje, portanto, é uma tarefa complicada convencer alguém que é o melhor genero musical de todos. Além de que, ou você nasce com o espirito do rock (e as vezes nem sabe disso), ou você vai curtir outra coisa o resto da sua vida.
A fase de frequentar essas festas passou, voltei de Campinas, e agora, com 5 anos de experiência como consultor, solteiro (nesse meio tempo, meu terceiro namoro também não deu certo), minha primeira atitude foi entrar em uma aula de guitarra avançada. E lá estamos, toda quinta, aprendendo a improvisar, solar, etc.
Essa sexta que passou (11.07.2008), fui num show em um antigo bar de rock (que hoje não toca mais rock, porém sexta tocou) assistir duas banda: Rock Seixas (cover de Raul) e cover da Janis Joplin. Muito legal, o guitarrista da “Janis” tocava extremamente bem, tinha um toque psicodélico em sua guitarra, muita habilidade, um ótimo músico. No show, encontrei uma garota. Rosto de boneca, camiseta de manga longa por baixo de uma camiseta de manga curta (exatamente como eu estava e estou e estarei), curtindo o show sozinha. E a camiseta de manga curta que ela usava, era uma camiseta do Palestra Itália (e não do Palmeiras). Infelizmente, por motivos de força maior, não foi possível conhecê-la. Mas vi ali tudo que eu poderia buscar em uma garota, linda, rock, palmeiras. São pequenos toques do destino que aparecem quando menos esperamos, e vai da gente aproveitar a oportunidade ou não. No caso, essa guinada no destino eu não aproveitei.
Ser do rock, é uma qualidade espiritual, é algo que só é possível entender sendo. A qualquer momento, em qualquer lugar, se trombar um amigo do mesmo movimento, o papo que vai rolar, é sobre som, sobre música. E a chance de ser muito mais legal do que uma balada ou um bar, é bem grande. É o pensamento que fica a todo momento na cabeça, é algo mais forte do que um simples gosto musical.
Por isso, eu faço questão de apreciar o dia 13 de Julho de todos os anos, esteja aonde estiver, faço algo para lembrar aonde estava em tal ano, no Dia Mundial do Rock. Hoje não deu para fazer algo extremo, tive que trabalhar.

Mas aqui está, meu post sobre o dia de hoje, para marcar o que estava fazendo em 2008. Assistindo a derrota do Palmeiras pro São Paulo, escutando The Doors, e enviando essa “blogagem”.
=P