Ô vício lazarento. Basta o tempo virar denovo, ficar esse frio extremo em São Paulo, e meu querido e amado Marlboro Azul não sai mais da minha cabeça denovo.

Utilizando estatísticas tiradas da própria internet, cheguei ao seguinte número (arredondado): a cada 5 maços de cigarro fumados, você perde 24 horas da sua vida. Digamos que fume 1 maço de cigarro por dia, você perde 73 dias (2,5 meses) de vida por ano (e R$ 1168,00). Isso sem contar o tempo que você gasta fumando, indo ao médico, ou saindo para comprar o maço.

Um único dia pode não parecer muito tempo, mas diga isso a alguém prestes a sofrer um acidente de carro, ou que está sob a mira de um revolver. Ou que está moribundo, com câncer, numa cama de hospital.
Em 24 horas, você consegue assistir mais ou menos 17 filmes. Consegue aprender a tocar um solo de guitarra. Consegue chegar ao final do jogo Prince of Persia: Sands of Time. Consegue conhecer alguém, se apaixonar, e mudar completamente a visão da vida.
Sou completamente viciado no Marlboro Azul. Mas fico o mais longe possível, sempre caminhando entre o ser fumante e o odiar o cigarro. Ver alguém fumando realmente me faz sofrer, tenho uma recaída em 5 segundos pensando a favor do cigarro. Por outro lado, fumar não me satisfaz mais. Acredito que meu vício chegou em um nível que só me satisfaria caso voltasse a fumar diariamente, toneladas de cigarros (1,5 maços diários foi a minha média por algum tempo). Isso facilita um pouco as coisas, pois não pretendo de maneira alguma voltar a essa média, assim consigo ficar 100% sem fumar por vários meses. Mas nunca mais encostar em um cigarro, se mostra cada vez mais impossível.
Cheguei a um ponto em que não fumar me dava falta de ar, dor no peito, dor de cabeça. Comecei fumando quando saía, por vários anos 1 maço durava algumas semanas ou até meses. Mas a coisa foi mudando, gradativamente, até que me vi consumindo praticamente 30 cigarros diários. Daí até conseguir (quase) parar, demorei cerca de 1 ano. Parava, 2 semanas no máximo e voltava. Parava, voltava. O segredo é não desistir nunca, não se entregar de vez. Foi assim, até que uma hora parei. Fiquei 5 meses sem absolutamente nada, daí aconteceram várias situações que me deixaram frágil, acabei cedendo, e fumei novamente. 2 maços em 3 semanas, e parei denovo. E assim vou, até conseguir eliminar o cigarro por completo da minha vida. O ideal é parar completamente, dizem que 1 ano sem encostar em nenhum cigarro, elimina o vício químico de vez, aí fica só a vontade psicológica. Mas tento balancear as coisas, nem morrer de vontade de fumar, nem morrer de tanto fumar.

Sempre fumei o Marlboro Azul, um cigarro que parecia ter mais personalidade do que os outros. Inclusive quando fiquei algum tempo em Porto Alegre, levava cerca de 10 maços para cada 15 dias que ficava lá (isso era eu reduzindo), pois não existia essa variação do Marba no Rio Grande do Sul. Agora ele mudou, está mais feminino, mais gordinho, com o filtro branco (emulando ser bem mais fraco, o que NÃO é real, ele é o cigarro que chega mais perto do Marlboro Vermelho, que por sua vez é o mais forte). Tinha um Zippo original, que fazia eu viciar cada vez mais no ato de fumar.

Agora estou tranquilo, tentando viver 1 dia de cada vez (como uma pessoa muito especial me ensinou uma vez). Hoje, eu me preocupo em não fumar hoje. Amanhã eu me preocupo com os problemas de amanhã.
Se você está começando agora, PARE! Você ainda vai se arrepender de ter começado, provavelmente em um momento mais maduro e estável. E quem diz isso é um vida louca, roqueiro, skatista, guitarrista, que tenta curtir o máximo da vida sempre. Cigarro é do mal, muito mais do mal do que muitas drogas que vemos propaganda na TV discriminando. Tudo em exageiro pode te matar, o grande risco do cigarro, é que ele te vicia de uma maneira que começa a ser necessário, quando você menos espera, não vive mais sem ele. E aí fodeu.